sábado, 3 de setembro de 2011
Motivos pra chorar
Eu sinto muito por não ser como você. Eu sinto mesmo, porque o que eu mais queria era poder ser indiferente ao sentimento dos outros. Não indiferente no sentido de não me importar, mas de me importar mais com a minha própria felicidade do que a dos outros. Sei lá, acho egoísmo. Sempre penso em mim em segundo lugar.
A vida me ensinou a pensar duas vezes antes de entrar na vida de alguém e me tornar importante. Boas ou más, a gente deixa marcas. E essas marcas definem para a pessoa tudo o que você significa pra ela. Se for pra deixar marcas ruins vou entrar pra que? Gosto sempre de causas a melhor impressão, a mais bonita e a mais sincera.
Sinto muito mesmo por não ser como você, porque eu adoraria sorrir e fingir que está tudo bem. Adoraria esfregar na sua cara (ainda que sem qualquer intenção) como eu estou feliz e desapegado. E eu adoraria que você soubesse que tem dezenas de mulheres no meu pé me dizendo a cada segundo o quanto eu significo pra elas. Mas não consigo. Essa minha eterna mania de querer ser sempre o melhor pros outros e não pra mim. Não quero dezenas de mulheres. Não quero estampar falsos sorrisos nem falsos sentimentos. Não quero que ninguém seja importante pra mim. Só quero ser importante pra alguém. UMA ÚNICA ALGUÉM. Que eu faça diferença na vida dela, e que ela reconheça isso. Porque no final, pra mim, é só isso que importa.
Não procuro (e nem quero) alguém perfeita e livre de defeitos. Eu entendo perfeitamente que o amor está exatamente em conhecer o pior lado de alguém e ainda assim achá-la incrível de todas as maneiras. Não se trata de amar ou respeitar os defeitos. Chega um ponto da sua vida que você vai entender que até os piores defeitos serão tão lindos e insubstituíveis quanto a mais importante das virtudes.
É fácil abraçar, pedir desculpas, dizer que tudo vai dar certo. É fácil oferecer amizade quando não se há mais o que oferecer. Curioso como nossos amores são compartilhados, mas nossa dor é egoísta e solitária. E quando o amor acaba ou torna-se menor, há sempre um lado que sofre mais. O lado que se entrega mais. Não quero compartilhar minha dor. Não quero que você a sinta. Mas aceite. Aceite que você a causou. Por querer ou não, a dor é a mesma.
A pior parte disso tudo é que você não precisa sentir. Não precisa compartilhar. Não precisa sequer ser solidária. Talvez não doa em você. Talvez você nem tenha a noção de que dói (e o quanto dói) em mim. Você não precisa querer me olhar. Não precisa querer me esquecer. Não precisa entender nem aceitar que, mais uma vez deu o melhor de sí e não foi suficiente. Você não precisa fazer nada disso.
Mas eu preciso.
Todos os dias.
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