Sempre que abro o editor pra tentar postar alguma coisa me pinta aquela pulga atrás da orelha com medo de estar soando repetitivo. Parece que tudo o que podia ser dito já foi dito, mas o mais importante no momento é que tenho voltado a me interpretar (ou tentar) e, mais do que isso, colocar em palavras. Soar repetitivo faz parte da brincadeira.
Incrível como não consigo escrever quando estou bem. Parece que não gosto de compartilhar a felicidade, só a tristeza. Deve ser mais ou menos por aí mesmo. Mas é que nossa felicidade normalmente é compartilhada com alguém, seja uma boa companhia, ou bons amigos, enquanto nossas tristezas são egoístas, solitárias... Não sou eu que está dizendo. Pode reparar. Abra um blog ou tumblr qualquer. Vê alguém compartilhando felicidade? Um ou outro talvez, mas a maioria está fazendo totalmente o inverso. Temos medo de compartilhar nossos sentimentos ruins pessoalmente, então tentamos colocar tudo isso em palavras. Não que isso seja algo ruim. Assim foram criadas as melhores músicas, os melhores filmes, livros e fotografias.
Também é normal ficarmos de rodeio, sem chegar onde realmente queremos. Não é proposital. Simplesmente acontece. A verdade é que é mais fácil colocar tristeza em palavras do que alegrias e é justamente por isso que eu tenho escrito tanto ultimamente. Logicamente nem tudo é publicado, mas eu mantenho tudo bem guardado. Pelo menos pra mim estar triste é algo bom. Não que eu esteja contente com isso, mas tento aprender alguma coisa.
Estou insatisfeito com praticamente tudo atualmente. Não sou realizado pessoal e nem profissionalmente. Não faço o que gosto, e isso é a maior frustração da minha vida. Sei que ainda sou jovem e há tempo pra encontrar o que mais me agrada, mas estou ficando cansado de procurar.
Mas o que anda me incomodando mesmo é o coração. Não é problema de saúde. É de coração mesmo, sabe como? O problema é que ele é grande demais, e atualmente tá tão vazio. Não vazio da minha parte, porque nesse sentido ele está bem preenchido, mas ele está solitário. Falta alguém venha somar. Transbordar alegria.
Saí recentemente de um "relacionamento" tão curto que não pode nem ser chamado assim. Na verdade pra mim sempre é, mas pra elas quase nunca. Sou homem a moda antiga. Não gosto de ficar por ficar. Não gosto de sexo só pelo prazer de fazer. Não gosto de me envolver sem me entregar. Se não tiver sentimento envolvido pra mim não tem a menor graça. A verdade é que eu saí muito machucado. Não gosto de botar a culpa em ninguém. Sempre me recuso a acreditar que as pessoas fazem o que fazem de propósito, mas não consigo deixar de pensar que sempre acabo sendo vítima do egoísmo dos outros. Eu me entrego demais, e acabo esperando isso dos outros sem saber que nem todo mundo se coloca em segundo lugar como eu faço. A minha felicidade consiste em fazer alguém feliz, em ver alguém sorrir, em ver alguém ser amado e ser grato por isso. O problema é que as pessoas estão tão machucadas (como eu estou) que não conseguem mais se dar ao prazer de sentir nada. Distribuem sorrisos falsos e sentimentos falsos, e se contentam se receberem o mesmo. Parece que só eu estou calejado e não me canso disso.
Ainda acho que estou sendo repetitivo, e as vezes até acho que o que eu escrevo não faz o menor sentido pra quem lê, mas ando tão perdido em pensamentos que se não contextualizar isso, não der vazão aos sentimentos, vou acabar enlouquecendo.
Ficar apaixonado ainda é inexplicável. É inexplicável estar feliz e triste ao mesmo tempo. Se sentir egoísta e altruísta ao mesmo tempo. As vezes é até chato. Chato principalmente quando não se é correspondido. E como eu já disse em outro texto, ter que compartilhar desse sentimento sozinho é a mais pura forma de egoísmo que eu tenho conhecimento. Quando alguém entra na sua vida e se torna importante, o mínimo que ela pode fazer é deixar a casa em ordem antes de sair. Se você é hospede no coração de alguém, e foi bem recebido, tenha cuidado ao sair. É duro ver partir alguém que a gente gosta. E mais duro ainda é ter que conviver com essa pessoa (e com esse sentimento) praticamente todos os dias. E pior ainda, perceber que ela não se importa. Então você sofre duas vezes. Sofre porque ama e não é correspondido, e sofre porque, não obstante, ainda tem que conviver com a indiferença. Ah, a indiferença. O pior sentimento dos seres humanos. "Ser esquecido é pior que a morte", assim já li uma vez. Tem coisa pior que do sentir algo e ser completamente ignorado em relação a isso? É muito melhor um "eu te odeio" do que um "eu não dou a mínima pra você". Quem odeia pelo menos se importa.
Não tenho vergonha de dizer que amo. Não tenho vergonha de dizer que me importo. E, principalmente, não tenho vergonha nenhuma de demonstrar tudo isso. Só tenho vergonha de não conseguir me livrar disso. Lembra quando eu disse que superaria? Lembra? Lembra quando eu disse que estava tudo bem a gente ser amigos, que o mais importante pra mim era não ver você sair da minha vida? Lembra quando eu te abracei e disse que nada mudaria? Lembra? Tudo mentira. E não há um único dia ou noite da minha vida em que eu não pense em você. E eu continuo não tendo vergonha de dizer isso. Pode rir de mim. Pode mostrar pras suas amigas e deixar que elas riam também. Não tenho vergonha. Não tenho vergonha de dizer que choro baixinho a noite, quando não consigo dormir e me pego perdido em pensamentos, quase sempre sobre você. Não tenho vergonha de recusar convites pra sair, porque sei que não serei uma boa companhia para os outros enquanto não tirar você da minha cabeça. Não tenho sequer vergonha de ter mudado completamente a minha rotina nos últimos meses só pra tentar te esquecer. E claro, falhei miseravelmente.
Gosto de me apaixonar. De perder o controle. De fazer planos e pensar "dessa vez vai ser diferente". Esqueça tudo o que já aconteceu antes. Quando você se apaixona você passa a prometer tudo o que jurou jamais prometer. Faz planos que jamais pensou em fazer. Quanto mais alto o voo, maior a queda, mas ela é necessária. Quem não voa não vai além dos limites. Gosto de visitar o passado. Lembrar de casos antigos. Lembrar com carinho mesmo, inclusive daqueles que não terminaram da melhor maneira. Gosto de aprender com os meus erros. As vezes tenho vontade de ficar por lá, mas não consigo. Nunca me permitiram...
Não desisto. Continuo tentando e errando. Errando mais e melhor. É assim que se aprende afinal, certo? Aprender é o que mais tenho feito ultimamente. Aprendendo quem importa e, principalmente, quem se importa. Quem foi, quem é e quem sempre será importante. Aprendendo a engolir a mais amarga das lágrimas... Posso estar me machucando muito, mas as vezes os sentimentos são como doenças: você precisa sentir para se tornar imune. Vivo intensamente cada segundo e não me arrependo. Estou machucado agora. E talvez esteja por muito tempo. Vou, aos poucos, me fechar no meu casulo de novo, até que alguém venha e me tire de lá, como você fez. E tal qual aconteceu com você, vou tentar fazer tudo tão certo. Talvez eu cometa os mesmos erros. Talvez eu machuque e talvez eu saia machucado de novo. Talvez tudo aconteça da pior maneira possível. Talvez eu me arrependa pelo resto da minha vida. Mas eu não desisto. Tentar e errar, mas não desistir de tentar.
Todo ser humano pode ignorar completamente isso. Fingir que não é assim que funciona. Mas a verdade é uma só. Quando estamos feridos é impossível superar isso sozinho. Amor não correspondido tem cura sim, e todos nós sabemos qual é. Só se tira alguém do coração quando se coloca outro no lugar. Não tente negar, você também sabe que é verdade.
Você me colocou aí pra tirar alguém.
Só não me permitiu continuar.

eu te entendo muito bem. toda vez que me envolvo com alguém me jogo e me apaixono e faço planos e tudo mais, e quando dá errado a gente se quebra em pedacinhos minúsculos e jura que nunca mais vai tão longe, nunca mais vai se entregar por completo, que nunca mais vai sentir. tudo mentira, e é ótimo que isso seja mentira.
ResponderExcluiruma vida sem tristeza e sem amor é também uma vida sem alegrias, já que a gente precisa do contraste pra saber que isso que a gente sente é felicidade. o que seria dos dias bons se não houvessem os dias ruins pra tornarem os bons ainda melhores? não sentir é abrir mão de se sentir vivo e, por mais que eu tente fazer isso sempre, eu sempre falho miseravelmente - ainda bem.
era por isso que eu tava tão triste em agosto, porque achei que tinha perdido a capacidade de sentir. não doía, bem verdade, mas o não-doer é tão indiferente que dói. mas tudo é cíclico, as coisas acontecem quando a gente menos espera e de repente tá tudo igual, a gente sentindo e morrendo de medo que algo dê errado pra não se quebrar em pedacinhos.
é isso que nos faz humanos, é a certeza de que essa não é a última vez que você vai sofrer, e mais ainda, a certeza de que você não vai morrer por sentir uma dorzinha, por mais que essa seja a sensação nessas madrugadas malditas de pensamentos nostálgicos e solidão. mas a gente cresce, a gente supera, a gente aprende e as cicatrizes passam a fazer parte de quem a gente é. o importante é não deixar de sentir.
e eu falei um monte de besteira só pra dizer que eu te entendo e espero que as coisas melhorem logo pra você. precisando compartilhar sua dor, saiba que eu sempre estarei aqui pra você :)
Acho que estou passando por alguma coisa parecida com tudo isso que vc escreveu. Ainda nao cheguei ao ponto de pensar que toda essa dor que eu estou sentindo vai me fortalecer, vai me fazer aprender ou até mesmo que um dia vai passar. Ainda estou na fase de achar que a vida é assim e ponto. Não que eu tenha ficado feliz pela sua tristeza, mas foi bom saber que tem mais pessoas no mundo que pensam como eu. Que se entregam sem medida, que nao tem vergonha, nem medo de amar, que se colocam em segundo plano, que se importam e que a sua felicidade depende da felicidade de quem vc ama.
ResponderExcluirObrigada por compartilhar. Escreve mais! Beijos. Pri.